Pela Janela







O algoritmo, ouvindo minhas frustrações, me manda dois vídeos em sequência… “como é ser vizinho do meu melhor amigo” e logo depois, uma cena de “projeto florida” de Monee dizendo pra sua melhor amiga: “eu não sei dizer adeus”.

Eu nunca nem assisti esse filme e caí no choro por saber exatamente como é difícil me despedir de alguém que vai morar longe. 


Não existem amizades perfeitas, não existem. E por melhor que fosse a nossa, não escapamos de desentendimentos e apontamentos distintos… ao mesmo tempo, ter você por perto era como ter um espelho meu melhorado, mais jovem e mais inteligente que eu.


E a gente tinha mesmo uma conexão… 


Mas eu me lembro do dia que você me disse “estou indo embora” e como aquilo foi como tirar um pedaço do meu chão.


Não estávamos vivendo a melhor fase da nossa amizade, mas ali foi também um ponto pra eu me reaproximar e aproveitar cada tempo que eu ainda tinha com você aqui no Brasil.


E eu jamais me perdoaria de não ter participado de tudo do jeito que foi! 


Na sequência, tivemos um fuso horário nos afastando gravemente, além de toda América Central e todos outros pedaços de  terra que haviam separado “nossas janelas”.


Eu sinto falta de alguém que me entenda sem eu precisar dizer muito. Sinto falta de alguém com meus princípios, que tenha uma história parecida. 


Sinto falta de compartilhar casos clínicos, e os causos bobos da vida sem julgamentos.


De ter alguém disposto a me ouvir e falar também de si. E que não seja alguém “melhor” que eu (ou que um mundo todo). Alguém sem competições. 


Alguém inteligente e que me acompanharia em qualquer “rolê”. Inclusive, tenho certeza que no Triatlo você iria ser excelente corredora, e poderíamos fazer juntas os treinos de ciclismo… mas eu jamais acompanharia sua corrida!


Eu sinto muito pela maneira que tivemos nossos “último encontro”, foi um momento péssimo meu, péssimas escolhas e ainda colho péssimas consequências … minha cabeça estava uma bagunça terrível. E me odeio por ter nos afastado ainda mais.


Hoje eu tô aqui de novo e quando olho pela janela eu consigo ver o seu antigo quarto. As janelas estão fechadas, tem uma película fumê, mas da pra ver que não tem ninguém lá além das memórias de tantas “conversas de janela” que já vivemos.


Mesmo passados tantos anos, minha janela continua aberta. E nunca houve alguém com conexão para um “telefone sem fio” igual ao nosso. 


Que falta você faz… saudades das nossas conversas pela janela!

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