Dos 6 aos 38


 Olhando pra ele eu me vejo! Eu volto no tempo e me vejo de novo aos 6-7 anos… me vejo ali com toda sentimentalidade, energia, medos, criatividade, amor, doçura e ingenuidade.

Eu olho pros os olhos dele e sinto um amor tão profundo e genuíno…

Eu só queria que ele soubesse que não precisa segurar toda culpa nas costas. Que não precisa ser aprovado o tempo todo, que ele só tem 6 anos! 

Aos 38 eu luto para ter controle sobre meus sentimentos e temperamento, aos 6?! Eu era choro e agonia.

O tempo inteiro eu pensava: não posso decepcionar!

Não posso errar, não posso magoar, a culpa sempre é minha. 

“Que coisa feia, que vergonha” 

Numa entonação doída, provocando um choro mudo pela “decepção” causada.

Sono, cansaço… 

Aos 38, a única coisa que eu queria era chegar e ter um tempo bom em família e não precisar ser simpática, fazer sala, atender, socializar… imagina aos 6?

E quanto mais eu vejo “casa cheia” mais eu gosto do meu canto e do meu silêncio! Crescer com a casa cheia me fez replicar tanto disso… e hoje valorizo tanto meu tempo meu!

Acreditei tanto que era preciso estar com a casa cheia que no momento em que todos se despediram de mim eu não consegui ficar também… hoje reflito muito sobre os fins de semana que vivi.

Eu não queria que Biel sentisse culpa por não querer estar ali, por não querer tirar uma foto sorrindo (quando ele não queria estar sorrindo)… 

Adultos tem mania de passar por cima dos sentimentos das crianças. Dos gostos, das vontades, dos choros…

Criança ainda não sabe lidar com tudo, mas eu penso com tanto respeito sobre cada detalhe desse, e vejo a mim mesma criança… chorando quieta, engolindo choro, e passando por cima pra tirar uma foto com um sorriso falso.

Ele sorriu comigo, eu tentei lhe dizer que ele poderia sim escolher quando queria brincar ou não. Que ele poderia sim estar cansado e querer só dormir! O tanto que eu amo esse menino…



Comentários

Postagens mais visitadas