Vidros fechados
Silêncio e distância são meus melhores recursos para me proteger, na maioria das vezes, de mim mesma. Me proteger das minhas escolhas e da minha mania de entrar em situações perigosas.
Engraçado o jeito que a gente tem pressentimentos e medos e é sempre um sinal de alerta. Na maioria das vezes, brigar, insistir e lutar para estar perto de alguém não é vantagem. Relacionamentos reais fluem.
Se afastar é a melhor maneira de evitar diálogos difíceis. É a melhor maneira de aceitar que não está tudo em suas mãos. É também respeitar os limites de alguém enquanto há educação e alguma simpatia.
Nem todos os relacionamentos são pra sempre. E todos eles terão suas vantagens, aprendizados e boas recordações pra se guardar.
A vida realmente imita a arte. Eu já não sei em qual temporada eu estou nesta série que é a minha vida. Mas já faz uns dias que houve fim de temporada e alguns personagens foram saindo de cena e dando espaço a outros.
Eu me sinto tão problemática, habitualmente trago pra mim a culpa das coisas. Isso é egoísta, porque aí me coloco como centro de tudo… mas sei que tenho mesmo a minha parcela de culpa em cada despedida e trocas de elenco nas temporadas até aqui, mesmo não sendo exatamente tudo meu, tento olhar pra dentro e tentar ser um pouco melhor.
Ainda tenho dificuldades pra lidar com afastamentos e silêncios, mas tenho aprendido a respeitar isso. Já escrevi tantas vezes sobre a falta que sinto de algumas pessoas… E a verdade é que eu vivi tão intensamente meus relacionamentos, que tenho marcas profundas deles.
Eu venho tentando corrigir meu curso. Esforço grande para deixar a racionalidade dominar por aqui! E fico aqui esperando sempre que alguém dê passos de sentimentalidade a minha frente para me sentir segura e doar um pouco mais de mim também.
Os meus relacionamentos presentes, que são antigos, parecem cada dia mais fortalecidos, ao passo que aprendo a distância segura a que cada um deles deve estar.
O meu filtro está mais refinado! Eu já não dispenso minhas palavras, ideias, pensamentos, novidades e sentimentos como antes.
E voltando para a Ana Carolina de 8 anos com os vidros abertos, aos 38 eu tenho preferido usar o ar condicionado do carro, vidros fechados e manter a estabilidade e previsibilidade de que o vento não vai entrar e bagunçar tudo que está dentro do carro.
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(escrevi 02/06)
Eu pensei que los Hermanos havia escrito sobre mim a canção “Sentimental”, não havendo ninguém mais sentimental que eu. As pancadas e feridas me trouxeram sobriedade. Aos poucos, tenho deixado a racionalidade dominar sobre a sentimentalidade.
Segurar os sentimentos não é fácil. É como ter novamente 8 anos de idade, viajando com os vidros do carro aberto, com a mão na janela tentando segurar o vento. Com a ilusão de que eu consigo sim, que sou forte o bastante. Já se passaram mais 30 anos, e não sou forte o bastante!

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